Soneto nº 6

Quando a água não mata mais a sede,
e a melhor comida não satisfaz.
Quando não se é mais um nó na rede,
e a opinião dos outros, liquefaz.

Quando saberes, lacunas medram,
e os deuses estão desacreditados.
Quando dos sonhos somente restam
os impossíveis ou realizados.

Quando, na vida, graça já não resta,
e procuram-se explicações na morte,
está-se pronto para descobrir:

se, por um lado, a razão nos atesta,
temos sentimentos que a nós, por sorte,
ofuscando o pensar, fazem sorrir.


- 2002 -

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